maio 18, 2005

LPN combate a seca

A Liga de Protecção da Natureza divulgou algumas medidas de combate à seca, que importa ter em atenção para não comprometer o futuro:

Sabendo que a seca é, neste momento, uma das maiores preocupações nacionais, a LPN tem acompanhado atentamente as medidas propostas pelas entidades competentes para fazer face a esta situação. A falta de sustentabilidade das soluções apontadas é inquietante, podendo vir a comprometer soluções de médio/longo prazo.

A frequência da ocorrência de anos de seca tem vindo a aumentar neste último
século. Entre 1900 e 1980 registaram-se em Portugal 8 episódios de seca, ao
passo que entre 1980 e 2005 já foram contabilizados 6. Tudo leva a crer que
isso esteja relacionado com o fenómeno das Alterações Climáticas Globais.

Usar o Alqueva como forma de combater a seca é uma estratégia de curto prazo que poderá funcionar em emergência, mas não substitui medidas de médio/longo prazo que têm que ser tomadas prontamente, uma vez que é de esperar que cenários como este se repitam num futuro próximo.

Certas medidas de carácter urgente, como as captações, furos e construção de
represas, se não forem devidamente disciplinadas, poderão implicar a
degradação dos recursos hídricos, nomeadamente dos aquíferos, comprometendo irremediavelmente a sua utilização. Se agora o problema é uma questão de quantidade de água, deve-se garantir que para fazer face a esse problema não se está a criar outro: o da falta de qualidade.

Os aquíferos também são susceptíveis ao efeito da seca e actividades que
impliquem uma menor recarga ou uma maior extracção, tornam-nos mais
susceptíveis a contaminantes ou à intrusão salina no litoral.

Informações recentes sobre mais um abate ilegal de sobreiros, desta vez no
concelho do Seixal, aliadas a uma generalizada falta de ordenamento do
território preocupam a LPN no que respeita à qualidade da água e recarga do
aquífero da margem Sul do Tejo.

Note-se que a desflorestação intensiva conduz a alterações do microclima
envolvente, nomeadamente à redução da pluviosidade, mas mais preocupante é o potencial impacto do efeito cumulativo das alterações do uso do solo, como o caso das actividades que consomem e poluem a água (campos de golfe, jardins, agricultura intensiva, efluentes domésticos e industriais) ou que levam à
impermeabilização do solo e a alterações no escoamento das águas pluviais.

Se se associarem os empreendimentos turísticos e as urbanizações, ao
prenunciado Transporte de Alta Velocidade e ao possível aeroporto na zona em
questão, pode-se já prever um forte impacto não só ao nível da recarga do
aquífero mas também da qualidade da sua água, que deveria ser entendida como uma importante reserva estratégica.

Diminuir as perdas de água na captação e distribuição, implementar medidas
de protecção dos aquíferos, promover um maior investimento na floresta e uma
adequação das culturas e práticas agrícolas às actuais condições climáticas,
são algumas das efectivas diligências que a LPN estimaria ver em acção, a
breve prazo.

Até ao final do ano a Comissão Europeia conta finalizar uma directiva que
obrigará à protecção dos solos por parte dos Estados Membros, com
repercussões nomeadamente ao nível das práticas agrícolas e do planeamento
urbano, com implicações indirectas na qualidade dos recursos hídricos.

Esperamos que esta Directiva, bem como a Directiva de Águas Subterrâneas,
ainda em fase de discussão pelos Estados Membros, não sigam o exemplo da
Directiva Quadro da Água que ainda não foi transposta para a legislação
nacional, apesar da Lei da Água já ter conhecido várias versões e estar
prevista para Junho a apresentação daquilo que esperamos venha a ser a
versão definitiva.

Publicado por dizerbem em maio 18, 2005 12:08 AM
Comentários